CINCO ANOS DE COVID-19: CICATRIZES QUE NÃO SE VEEM
quarta, 12 de março de 2025

Cinco anos. Cinco longos anos desde que o mundo parou. Parece que foi ontem — mas, ao mesmo tempo, parece que foi há uma vida inteira. Os corredores dos hospitais, antes cheios de vida, se transformaram em campos de batalha silenciosos, onde a respiração pesada de um ventilador era o som mais temido. Cinco anos desde que o cansaço deixou de ser apenas físico e se alojou em algum lugar entre o peito e a alma.
Eu estava lá, na linha de frente. Como médico infectologista, sabia que algo devastador estava por vir quando os primeiros casos começaram a aparecer. Mas saber não ameniza a dor. Saber não prepara para a visão de um paciente que entrou andando e, dias depois, deixou o hospital num saco plástico. Saber não ajuda a suportar a impotência de olhar nos olhos de alguém que luta para respirar, sabendo que você está de mãos atadas.
Vi colegas desmoronarem. Vi médicos chorarem sozinhos nos vestiários, porque chorar em público era luxo. Vi enfermeiros com as mãos machucadas pelas luvas, com os rostos marcados pelas máscaras, mas ainda assim aparecendo para o próximo plantão — porque não havia escolha. A morte virou rotina, e o luto ficou suspenso, engolido pelo ritmo implacável dos plantões.
O peso das decisões também ficou. Aquele paciente vai para o respirador? Quem terá prioridade? Como dizer para a família que não há mais o que fazer? Como continuar respirando depois de dizer isso?
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E quando a primeira vacina chegou, nos permitimos sonhar. Nos permitimos acreditar que o pior tinha passado. Que teríamos uma chance de reconstruir, de sermos valorizados, de finalmente respirarmos sem o peso constante do medo e da exaustão. Mas essa esperança foi curta.
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Porque depois que a poeira baixou, veio a ingratidão. A mesma sociedade que nos chamava de heróis virou as costas para nós. Os aplausos cessaram, as promessas foram esquecidas, e o sistema de saúde voltou a ser negligenciado. Cortes de verbas, falta de estrutura, sobrecarga. E nós seguimos, agora mais cansados, mais desconfiados, mais feridos. Fomos aplaudidos no auge da crise, apenas para sermos descartados no silêncio do pós-pandemia.
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O pior não foi enfrentar o vírus. O pior foi perceber que o sacrifício ficou na memória apenas de quem lutou. O mundo seguiu em frente. Nós ficamos para trás- com as mãos calejadas, os olhos cansados e as cicatrizes invisíveis que ninguém se importa em ver. Heróis salvam o mundo, mas meu mundo não tem salvação!
Não consigo esquecer cada óbito investigado, as lágrimas inundavam o rosto. Era o amor de uma família, que um vírus levou! Passa um filme na minha cabeça, casos marcantes. Foram 2 anos sem férias, sem licença, sem afastamentos, trabalhando de dom a dom, lidando com a dor. Nunca pensei que passaria por momentos pior que a epidemia de cólera.
Fonte: DR. Filipe Prohaska
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