QUE MUNDO É ESSE? COM O PROFESSOR: PAULO DE TARSO, ARTIGO DESTA SEGUNDA (02-03-2026)
segunda, 02 de março de 2026
OS NOVOS JOGOS DE PODER
Eu tenho refletido muito sobre os novos jogos de poder que se instauraram diante dos nossos olhos e, muitas vezes, dentro dos nossos próprios celulares. Se antes as disputas ideológicas aconteciam nas praças públicas, nos parlamentos ou nas universidades, hoje a grande arena de combate são as redes sociais. É ali que se trava a batalha diária por atenção, por narrativa, por influência. É ali que o poder circula com uma velocidade que nenhuma geração anterior experimentou.
Eu vivi o tempo em que o diálogo era sustentado por argumentos, por referências, por comprovações científicas. Havia divergências, claro. Sempre houve. Mas existia um certo compromisso com a lógica, com o mínimo de coerência. Hoje, percebo que algo mudou profundamente. As ideias que poderiam melhorar a vida em coletividade parecem perder espaço para discursos rasos, inflamados e, muitas vezes, deliberadamente distorcidos. O debate fundamentado cede lugar ao espetáculo.
As redes sociais criaram uma lógica própria de recompensa. Não é o argumento mais consistente que ganha visibilidade, mas o mais impactante. Não é a reflexão mais responsável que viraliza, mas a que provoca indignação instantânea. Descobrimos, enquanto sociedade, que a capacidade humana de produzir exageros, distorções e até barbaridades pode ser altamente lucrativa. Likes se transformam em engajamento. Engajamento se transforma em monetização. Monetização se transforma em poder, seja ele financeiro ou político.
Eu observo que essa dinâmica gera verdadeiros abismos cognitivos. Cada grupo passa a viver em sua própria bolha informacional, reforçando crenças sem qualquer confronto real com dados ou evidências. A ciência, que deveria ser ferramenta de orientação coletiva, passa a ser tratada como opinião. O especialista é equiparado ao influenciador. A pesquisa séria disputa espaço com o vídeo de quinze segundos carregado de certezas absolutas.
E o mais inquietante é perceber que muitos entram nesse jogo não apenas por convicção, mas por sobrevivência simbólica. Em meio à imensidão digital, ser visto virou sinônimo de existir. Então alguns optam por radicalizar, exagerar, distorcer, porque o algoritmo premia o extremo, não o equilíbrio. A lógica da plataforma favorece o conflito, pois o conflito mantém as pessoas conectadas. E pessoas conectadas significam dados. E dados significam lucro.
É nesse ponto que me faço a pergunta que considero central: quem realmente detém o poder nesse mundo das big techs? Somos nós, que produzimos conteúdo, que consumimos informação, que alimentamos as plataformas com nossos dados? Ou são os donos dos algoritmos, que definem silenciosamente o que aparece, o que desaparece, o que ganha destaque e o que é enterrado na invisibilidade?
Os algoritmos não são neutros. Eles são construídos para maximizar permanência, engajamento e rentabilidade. E, ao fazer isso, acabam moldando comportamentos, influenciando emoções, direcionando debates. Não escolhemos apenas o que vemos, muitas vezes somos conduzidos a ver. Não decidimos sozinhos o que se torna relevante, somos apresentados ao que foi calculado para nos manter atentos.
Isso não significa que estamos totalmente impotentes. Mas significa que precisamos compreender o jogo. Precisamos desenvolver uma consciência crítica sobre como funcionam essas estruturas invisíveis. Precisamos retomar o valor do diálogo fundamentado, da escuta ativa, da argumentação responsável. Caso contrário, continuaremos confundindo visibilidade com verdade e popularidade com legitimidade.
Os novos jogos de poder não usam mais apenas armas tradicionais. Eles utilizam dados, métricas, impulsionamentos e inteligência artificial. A arena é digital, mas as consequências são reais. Afetam eleições, políticas públicas, relações sociais e até a forma como percebemos a realidade.
Por isso, mais do que perguntar quem tem o poder, talvez devamos perguntar: estamos dispostos a disputar esse poder com consciência? Ou continuaremos entregando nossa atenção que é a moeda mais valiosa deste século, sem questionar quem a administra?
No fim das contas, a verdadeira batalha talvez não seja entre direita e esquerda, entre conservadores e progressistas. Talvez seja entre autonomia e manipulação. Entre consciência e condicionamento. Entre cidadãos e algoritmos.
ARTIGO ESCRITO POR: PROFESSOR PAULO DE TARSO
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