MISSÃO INSPIRATION4, DA SPACEX, DEVE DEIXAR CONCORRENTES DO TURISMO ESPACIAL COMENDO POEIRA

quarta, 15 de setembro de 2021

Lançamento está marcado para a noite desta quarta (15); tripulantes, todos civis, ficarão na órbita da Terra por três dias

 

Os primeiros civis a se aventurar sozinhos fora da Terra, sem a presença de astronautas profissionais, estão prestes a decolar em um foguete da empresa privada SpaceX, do bilionário Elon Musk. O voo está agendado para a noite desta quarta-feira (15).

 

A missão Inspiration4, a bordo da cápsula Crew Dragon, não deve ficar tão longe de casa, porém, permanecendo na órbita do nosso planeta por cerca de três dias.

 

O tempo não parece tão longo, mas já é muito maior do que os poucos minutos que as experiências recentes de turismo espacial proporcionaram aos viajantes.

 

Se você está achando que se trata de mais um voo privado de bilionários ao espaço, em parte, você está certo. Sim, é um voo privado e tem um novo bilionário que decolará em um foguete. Desta vez, é Jared Isaacman, 38, fundador da empresa de pagamentos Shift4 Payments.

 

Mas há um tanto a mais nessa missão, em relação aos voos privados recentes do empresário Richard Branson, dono da Virgin Galactic, e do CEO da Amazon, Jeffrey Bezos, dono da companhia espacial Blue Origin.

 

Primeiro, como já dito, a questão da tripulação: a primeira composta totalmente por civis —logicamente, nenhum deles terá a responsabilidade de pilotar a nave. O comando é automatizado, observado por engenheiros que ficam em terra firme.

 

Além de Isaacman, outras três pessoas foram escolhidas para integrar o voo. Daí, inclusive, vem o nome da missão, Inspiration4. A ideia é ter representados na nave valores como liderança, esperança, generosidade e prosperidade.

 

A ideia de liderança está a cargo de Isaacman, que inclusive tem experiência como piloto. É ele, com sua fortuna, que paga pelas vagas dos colegas de voo. O valor desembolsado não foi divulgado.

 

A esperança está associada a Hayley Arceneaux, 29, assistente médica do hospital infantil St. Jude, em Memphis, no Tennessee (EUA), que superou um câncer —sendo tratada nesse mesmo hospital— quando tinha 10 anos de idade.

 

Além disso, Arceneaux será a pessoa mais jovem a chegar ao espaço e a primeira a fazer isso com uma prótese (como consequência do tumor ósseo, uma parte dos ossos da perna esquerda dela tiveram que ser substituídos).

 

A generosidade está associada a Christopher Sembroski, 42. Ele fez uma doação para o hospital St. Jude (ao todo, a missão pretende levantar cerca de US$ 200 milhões para a instituição), em um concurso promovido por Isaacman para sortear um felizardo para entrar a bordo.

 

O engenheiro acabou não tendo sorte de cara. A vaga não veio para ele, mas, sim, para um amigo, que, pelo entusiasmo de Sembroski pelo assunto, resolveu redirecionar o prêmio.

 

Por fim, a prosperidade está associada a Sian Proctor, 51, geóloga e empreendedora que quase chegou a ser astronauta pela Nasa e agora realizará o sonho de ir ao espaço. Assim, ela se tornará a quarta mulher negra a alcançar o feito.

 

Proctor conseguiu seu lugar na nave ganhando um concurso da empresa de Isaacman, no qual os participantes tinham que usar o software da Shift4 Payments para montar uma loja online e tuitar vídeos sobre seus sonhos relacionados a empreendedorismo e espaço.

 

"Esse primeiro voo é muito simbólico. Inaugura o turismo espacial em órbita, que até agora não tinha sido feito de forma privada", diz Lucas Fonseca, empreendedor espacial.

 

Mas, para além da tripulação 100% civil, a missão Inspiration4 deve fazer história também por questões técnicas.

 

Os voos feitos até o momento por outros bilionários duraram pouquíssimo tempo. "Você sobe, sobe, sobe, passa a linha que limita o espaço e desce", resume Cássio Barbosa, astrofísico do Centro Universitário FEI. "É um míssil que sobe, acaba o combustível e ele desce", brinca.

 

Isso porque as missões comerciais anteriores, realizadas em julho pela Virgin Galactic, empresa de Branson, e pela Blue Origin, de Bezos, foram voos suborbitais. Nesse tipo a velocidade não costuma exceder os 4.000 km/h.

 

Fonte: Folha Uol

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